Hildegard Behrens – a morte de uma DIVA

Um pequeno tributo a uma das maiores divas da ópera.

Hildegard Behrens nasceu em Varel, no Norte da Alemangha, em 1937. Deixou-nos, aos 72 anos, em Tóquio, na passada Terça-feira, dia 18 de Agosto, com um aneurisma.

 

Hildegard foi conduzida pelos maiores maestros, como Bernstein, LEvine ou von Karajan. A sua voz modelada, a sua presença impactante em palco e a sua capacidade de representação extraordinária levaram-na a ser uma das melhores intérpretes de heroínas wagnerianas até então admiradas.

Mas não posso deixar de homenageá-la pela brilhante Elettra, da ópera do meu amado Mozart, Idomeneo, no Metropolitan Opera de Nova York, conduzida por James Levine, 1994.

Em 1997 foi nomeada “cantora do ano” pela revista especializada em ópera, Die Opernwelt.

Vai deixar-nos saudades.

 

LINK PARA O SEU WEBSITE:

 

http://www.fanfaire.com/behrens/abouthb.html

BOLSAS DE ESTUDO EUROPEIAS DE INVESTIGAÇÃO E PARA PROJECTOS

PARA PORMENORES, VER O PDF

 

ERC-Guide for Applicants-July 2009[1]

MESTRADO – ARTES CÉNICAS E DA COMUNICAÇÃO

ATENÇÃO ao Mestrado que se iniciará neste ano lectivo 2009-2010!

Para além da excelência do corpo docente, tem uma estrutura virada para a aplicação das artes cénicas e é uma mais valia para quem quer dedicar-se, de facto, ao mundo do espectáculo como professor.

Não esquecer que as candidaturas só serão aceites até 15 de Setembro. Na Faculdade de Arquitectura de Lisboa.

Recomenda-se!

MESTRADO EM ACC3[1]

Estar a saque, ou não – eis a questão

 

Lisboa hoje, meus amigos, acordou monárquica. Não percebeu, não sabia, estava a dormir profundamente, ou a sornar neste sol de Agosto, mas era monárquica. A bandeira azul e branca, com o seu escudo e armas de Portugal, ali, reluzente, para quem quisesse ver.

Pelos vistos, a maioria não viu. Não viu, ou não ligou, que o pessoal às vezes é distraído. Sim, porque não quero acreditar que, depois das incursões futebolísticas de 2004 até hoje, exista algum português que não saiba reconhecer a bandeira da República Portuguesa. A não ser, claro, que ache que aquela bandeira vermelha e verde é a bandeira da Selecção Nacional…Mas não era a da República, era a do Município.

Independentemente se era vermelha/verde, preta e branca ou às bolinhas, o interessante é que foi retirada a bandeira municipal – que, curiosamente, muitos lisboetas nem sequer seriam capazes de reconhecer, mesmo que os manjericos de Sto António estivessem envoltos nela – como dizia, a bandeira municipal foi substituída pela dita monárquica.

Curioso… Agora, alguns pensamentos sobre a questão (e não vou estar com considerações se foi bem feito, mal feito, ou assim-assim…embora monárquica, não vou por aí).

- Apesar de ser Agosto e a “malta” não estar para trabalhar, na CML trabalha-se, pica-se o ponto, normalmente, como em qualquer organismo público. Será que ninguém poderia dar pela troca durante TODA UMA MANHÃ???? Sim, porque a bandeirinha lá ficou, no seu esplendor resplandecente, abanando ao vento até perto ds… 13h!!!!!

- Como se consegue tomar a CML de assalto e tirar uma bandeira para colocar lá seja o que for e ninguém dá por isso? Nem um segurança, um polícia…? E ANDA UM TIPO COM UM ESCADOTE DE 3 METROS DESDE A AVENIDA DA LIBERDADE ATÉ À PRAÇA DO MUNICÍPIO DE MADRUGADA E NINGUÉM PERGUNTA NADA????

Isto é, no mínimo, inaudito!

Quer dizer, se de hoje para amanhã o pessoal estiver farto disto tudo – e já falta pouco, os portugueses andam descontentes com a vida, e não é para menos – juntar-se, já que não há muito que fazer, o Verão está um bocado molenga, ‘bora lá tomar o país de assalto, tipo iá, bora, é uma cena fixe, Olivença é nossa…

Onde está a autoridade? Ou seja, não há controle e mão firme? A questão não é punir os que fizeram a “brincadeira”, é um pouco mais profundo que isso. Parece-me que o ponto fulcral é a displicência, insegurança e total irresponsabilidade das autoridades que permitem chegar-se a este ponto! É extraordinário…para não dizer ridículo.

A sensação que se fica não é que os “monárquicos” são brincalhões e fazem partidas engraçadas, para mexer um pouco com uma capital que só tem movimento em Agosto por causa dos turistas; a impressão que se tem é que qualquer pessoa minimamente audaciosa, com um grupo de amigos, poderá tomar o país de assalto.

Isso que nenhum grupo terrorista se lembrou de cá vir fazer alguma coisa….Ou então, é tão fácil, tão fácil, que nem precisam de fazer nada, porque os próprios portugueses encarregam-se disso….

Afinal, estamos a saque, ou não? Fica a questão.

 

(Ver o artigo no Público, http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1395532 )

Iniciar Agosto…

Enquanto as pessoas normais, no dia 3 de Agosto, habitualmente, estão de férias, eu passo o dia enterrada nos documentos da Torre do Tombo. Tese, a quanto obrigas… Há quantos anos não sei o que são férias? Já não lembro… Só sei que passei o dia com uma música na cabeça:

 

 

POIS, para quem não sabia, eu não ouço só MOZART (apesar de ele ser o preferido acima de tudo)… Mas hoje, nem a Rainha da Noite!

Big in Japan – Alphaville

Hoje estou um pouco nostálgica. Lembrei-me do meu irmão e dos anos 80…

As roupas que o vocalista usa neste vídeo sempre me fizeram lembrar o design da Ana Salazar e os trajes usados pelos Heróis do Mar…

 

Episódio mais lindo de Os Lusíadas

Episódio de Dona Inês de Castro (Os Lusíadas, Canto III, 118 a 135)

Passada esta tão próspera vitória,

Tornado Afonso à Lusitana Terra,

A se lograr da paz com tanta glória

Quanta soube ganhar na dura guerra,

O caso triste e dino da memória,

Que do sepulcro os homens desenterra,

Aconteceu da mísera e mesquinha

Que despois de ser morta foi Rainha.

 

Tu, só tu, puro amor, com força crua,

Que os corações humanos tanto obriga,

Deste causa à molesta morte sua,

Como se fora pérfida inimiga.

Se dizem, fero Amor, que a sede tua

 Nem com lágrimas tristes se mitiga,

É porque queres, áspero e tirano,

Tuas aras banhar em sangue humano.

 

Estavas, linda Inês, posta em sossego,

De teus anos colhendo doce fruito,

Naquele engano da alma, ledo e cego,

Que a fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuito,

Aos montes insinando e às ervinhas

O nome que no peito escrito tinhas.

 

Do teu Príncipe ali te respondiam

 As lembranças que na alma lhe moravam,

Que sempre ante seus olhos te traziam,

 Quando dos teus fernosos se apartavam;

De noite, em doces sonhos que mentiam,

De dia, em pensamentos que voavam;

E quanto, enfim, cuidava e quanto via

Eram tudo memórias de alegria.

 

De outras belas senhoras e Princesas

Os desejados tálamos enjeita,

Que tudo, enfim, tu, puro amor, desprezas,

Quando um gesto suave te sujeita.

Vendo estas namoradas estranhezas,

O velho pai sesudo, que respeita

O murmurar do povo e a fantasia

Do filho, que casar-se não queria,

 

Tirar Inês ao mundo determina,

Por lhe tirar o filho que tem preso,

Crendo co sangue só da morte ladina

Matar do firme amor o fogo aceso.

 Que furor consentiu que a espada fina,

 Que pôde sustentar o grande peso

 Do furor Mauro, fosse alevantada

Contra hûa fraca dama delicada?

 

Traziam-na os horríficos algozes

Ante o Rei, já movido a piedade;

Mas o povo, com falsas e ferozes

Razões, à morte crua o persuade.

Ela, com tristes e piedosas vozes,

Saídas só da mágoa e saudade

Do seu Príncipe e filhos, que deixava,

 Que mais que a própria morte a magoava,

 

Pera o céu cristalino alevantando,

Com lágrimas, os olhos piedosos

(Os olhos, porque as mãos lhe estava atando

Um dos duros ministros rigorosos);

E despois, nos mininos atentando,

Que tão queridos tinha e tão mimosos,

Cuja orfindade como mãe temia,

Pera o avô cruel assi dizia:

 

 (Se já nas brutas feras, cuja mente

Natura fez cruel de nascimento,

E nas aves agrestes, que somente

Nas rapinas aéreas tem o intento,

Com pequenas crianças viu a gente

Terem tão piedoso sentimento

Como co a mãe de Nino já mostraram,

E cos irmãos que Roma edificaram:

 

ó tu, que tens de humano o gesto e o peito

(Se de humano é matar hûa donzela,

Fraca e sem força, só por ter sujeito

O coração a quem soube vencê-la),

A estas criancinhas tem respeito,

Pois o não tens à morte escura dela;

Mova-te a piedade sua e minha,

Pois te não move a culpa que não tinha.

 

E se, vencendo a Maura resistência,

A morte sabes dar com fogo e ferro,

Sabe também dar vida, com clemência,

A quem peja perdê-la não fez erro.

Mas, se to assi merece esta inocência,

Põe-me em perpétuo e mísero desterro,

Na Cítia fria ou lá na Líbia ardente,

Onde em lágrimas viva eternamente.

 

Põe-me onde se use toda a feridade,

Entre leões e tigres, e verei

Se neles achar posso a piedade

Que entre peitos humanos não achei.

Ali, co amor intrínseco e vontade

Naquele por quem mouro, criarei

Estas relíquias suas que aqui viste,

Que refrigério sejam da mãe triste.)

 

Queria perdoar-lhe o Rei benino,

Movido das palavras que o magoam;

 Mas o pertinaz povo e seu destino

(Que desta sorte o quis) lhe não perdoam.

Arrancam das espadas de aço fino

 Os que por bom tal feito ali apregoam.

 Contra hûa dama, ó peitos carniceiros,

Feros vos amostrais e cavaleiros?

 

Qual contra a linda moça Polycena,

Consolação extrema da mãe velha,

Porque a sombra de Aquiles a condena,

 Co ferro o duro Pirro se aparelha;

Mas ela, os olhos, com que o ar serena

(Bem como paciente e mansa ovelha),

Na mísera mãe postos, que endoudece,

Ao duro sacrifício se oferece:

 

Tais contra Inês os brutos matadores,

No colo de alabastro, que sustinha

 As obras com que Amor matou de amores

Aquele que despois a fez Rainha,

As espadas banhando e as brancas flores,

Que ela dos olhos seus regadas tinha,

 Se encarniçavam, fervidos e irosos,

No futuro castigo não cuidosos.

 

Bem puderas, ó Sol, da vista destes,

Teus raios apartar aquele dia,

Como da seva mesa de Tiestes,

Quando os filhos por mão de Atreu comia !

Vós, ó côncavos vales, que pudestes

A voz extrema ouvir da boca fria,

O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,

Por muito grande espaço repetistes.

 

Assi como a bonina, que cortada

Antes do tempo foi, cândida e bela,

Sendo das mãos lacivas maltratada

Da minina que a trouxe na capela,

O cheiro traz perdido e a cor murchada:

Tal está, morta, a pálida donzela,

Secas do rosto as rosas e perdida

A branca e viva cor, co a doce vida.

 

As filhas do Mondego a morte escura

Longo tempo chorando memoraram,

E, por memória eterna, em fonte pura

As lágrimas choradas transformaram.

O nome lhe puseram, que inda dura,

Dos amores de Inês, que ali passaram.

Vede que fresca fonte rega as flores,

Que lágrimas são a água e o nome Amores.

MIA COUTO…NOVAMENTE!

Não resisti…

 

O AMOR, MEU AMOR

Nosso amor é impuro

como impura é a luz e a água

e tudo quanto nasce

e vive além do tempo.

 

Minhas pernas são água,

as tuas são luz

e dão a volta ao universo

quando se enlaçam

até se tornarem deserto e escuro.

E eu sofro de te abraçar

depois de te abraçar para não sofrer.

 

E toco-te

para deixares de ter corpo

e o meu corpo nasce

quando se extingue no teu.

 

E respiro em ti

para me sufocar

e espreito em tua claridade

para me cegar,

meu Sol vertido em Lua,

minha noite alvorecida.

 

Tu me bebes

e eu me converto na tua sede.

Meus lábios mordem,

meus dentes beijam,

minha pele te veste

e ficas ainda mais despida.

 

Pudesse eu ser tu

e em tua saudade ser a minha própria espera.

 

Mas eu deito-me em teu leito

quando apenas queria dormir em ti.

 

E sonho-te

quando ansiava ser um sonho teu.

 

E levito, voo de semente,

para em mim mesmo te plantar

menos que flor: simples perfume,

lembrança de pétala sem chão onde tombar.

 

Teus olhos inundando os meus

e a minha vida, já sem leito,

vai galgando margens

até tudo ser mar.

Esse mar que só há depois do mar.

 

 

E ainda…

SEM DEPOIS

Todas as vidas gastei

para morrer contigo.

E agora

esfumou-se o tempo

e perdi o teu passo

para além da curva do rio.

 

Rasguei as cartas.

Em vão: o papel restou intacto.

Só meus dedos murcharam, decepados.

 

Queimei as fotos.

Em vão: as imagens restaram incólumes

e só meus olhos

se desfizeram, redondas cinzas.

 

Com que roupa

vestirei minha alma

agora que já não há domingos?

 

Quero morrer, não consigo.

Depois de te viver

não há poente

nem o enfim de um fim.

 

Todas as mortes gastei

para viver contigo.

POEMA

Caros amigos,

devido ao trabalho intenso tenho andado ausente da blogosfera. Mas queria partilhar convosco este poema, tirado do livro Idades, Cidades, Divindades de Mia Couto, que comprei para oferecer ao meu irmão.

 

Peixes

 

Com violência

estilhaçou o aquário.

Os peixes

pratearam desesperos pelo mármore.

 

Como as palavras

de um obrigatório poema de escola:

livres,

dispondo de todo o ar

e morrendo de asfixia.

Pesar pela tragédia do voo Air France 447

Esta tragédia abalou-nos todos profundamente.

Neste momento de dor e sentimentos de perda e incapacidade, quero manifestar o meu pesar junto de todos os familiares e amigos dos envolvidos neste desastre.

O meu particular sentimento para com a Família Imperial Brasileira.

Infelizmente, a possibilidade de haver sobreviventes é escassa. Mantemos alguma esperança, mas a cada hora que passa ela vai atenuando.

Vamos nos mantendo informados da melhor forma. Pode ser que as nossas preces sejam ouvidas.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1384417

 http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1384430

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1384403

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1384484&idCanal=11

 

http://ppmeuropa2009.blogspot.com/2009/06/candidatura-ppm-europa2009-solidaria.html

« Older entries